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Eventos

Quase 50 Anos de Comic-Con

Caio Henrique Machi | 15 de julho de 2019

Março de 1970, no porão de um hotel barato em San Diego, Califórnia, nascia a Comic-Con, um evento feito para, inicialmente, os apreciadores de histórias em quadrinho. Teve na sua 1ª edição cerca de 100 visitantes, número muito inferior à suas edições mais recentes, que ultrapassam 100 mil visitantes.

A premissa da convenção era conectar os criadores das HQ’s com os leitores, mas ao passar dos anos foi se expandindo e abrangendo todo universo geek, contando com estrelas de cinema e TV, empresas de jogos eletrônicos e até nomes da música.

Nos anos 1970, o nascimento do movimento trekker, os fãs de Star Trek (Jornada nas Estrelas) e suas convenções ajudaram a pavimentar eventos que reuniam atores, artistas e admiradores dispostos a comprar itens até então artesanais e participar de concursos de fantasias de seus personagens favoritos, os cosplay.

Pode-se dizer o divisor de águas do fenômeno ocorreu em 1976, “quando um publicitário da Lucasfilm enviou cartazes e outros itens para promover um “pequeno filme chamado Star Wars“, comenta Glanzer, diretor de marketing da Comic-Con.

Público acompanha painel de “Star Wars” na Comic-Con de 1976 (foto: divulgação)

A tática de promoção do “boca a boca” da obra de capa e espada espacial de George Lucas foi “o marketing viral antes de que existisse o próprio marketing viral”, acrescenta.

Na década de 1990, estúdios e redes de televisão começaram a enviar seus astros e diretores, obrigando a imprensa tradicional a prestar atenção em seus produtos.

O diretor Francis Ford Coppola compareceu para promover “Drácula”, enquanto que Quentin Tarantino passou de simples fã a convidado especial dos painéis.

“Antes costumávamos distribuir entre 2.000 e 3.000 entradas à imprensa, porque as pessoas não queriam vir”, recorda Glanzer. “Agora, as entradas são vendidas em menos de uma hora”, completou.

A receita é tão bem-sucedida que outras Comic-Cons começaram a ser realizadas em todo planeta: de Nova York à Arábia Saudita, passando pela CCXP no Brasil, que já é maior evento em número de público no mundo inteiro.

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CCXP 2018 (foto: divulgação)

Este ano, o Centro de Convenção de San Diego vai receber uma série de painéis que farão uma viagem no tempo para celebrar o início da Comic-Con.

Muito serão tomados de nostalgia, pois todo esse crescimento tem um custo. O que era um evento íntimo, para verdadeiros fãs, agora recebe milhares de pessoas, muitas atraídas mais pelo modismo do que pela paixão. A ampliação do público torna tudo mais complicado: das longas filas aos corredores abarrotados.

Os pequenos lojistas de quadrinhos, que, por décadas, tiveram seu lugar no evento, agora não podem participar devido aos altos custos. Muitos lamentam que, em meio aos sucessos de Hollywood e dos videogames, os quadrinhos tenham ficado de lado.

“Nunca se tratou apenas de quadrinhos”, rebate Glanzer. “Claro que recebemos muita gente de Hollywood, mas o entretenimento hoje é diferente do de 1970. Acho que é simplesmente uma evolução saudável e uma valorização da arte em suas distintas formas.”

“Enquanto mantivermos nossas raízes nos comics e oferecermos outras expressões artísticas, acho que estamos no caminho certo.”

Este ano o evento começa quinta-feira, 18 de Julho encerra-se domingo, 21 de Julho.

Fonte: France Presse

Escrito por: Caio Henrique Machi

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